Oncofertilidade possibilita que pacientes com câncer tenham filhos

Oncofertilidade possibilita que pacientes com câncer tenham filhos

Publicado em 5 de julho de 2017

Nos últimos anos, além de estudar a cura do câncer, profissionais da saúde também se preocupam em manter a qualidade de vida dos pacientes. A radioterapia, quimioterapia e cirurgias utilizadas no tratamento do câncer podem, muitas vezes, levar à infertilidade, e por isso, falar sobre as possibilidades de preservação da fertilidade após tratamento da doença pode afetar diretamente no bem estar das pessoas.

Oncofertilidade é uma especialidade da medicina que tem como objetivo manter a fertilidade dos pacientes com câncer que desejam ter filhos após o tratamento da doença. “É fundamental que a sociedade informe-se a respeito do assunto. Tanto pacientes, quanto familiares e médicos oncologistas devem saber que na maior parte dos cânceres podem ser adotadas estratégias para a preservação da fertilidade”, afirma Carlos Alberto Marcondes, médico associado da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA).

Para que haja sucesso no processo de preservação da fertilidade, recomenda-se que haja o congelamento espermatozoides, óvulos, embriões ou tecido testicular e ovariano antes de começar o tratamento para cura do câncer. Dentro do processo, deve-se escolher o método mais adequado, em tempo hábil, sem prejudicar a saúde do paciente e em conjunto com o médico responsável pelo tratamento do câncer.

Tratamento do câncer – O tipo de tratamento escolhido para a cura do câncer pode prejudicar mais a fertilidade dos pacientes. Alguns tipos devem ser, se possível, evitados. “Os agentes alquilantes, por exemplo, utilizados no tratamento do câncer de mama têm ação devastadora nos ovários, provocando com frequência a falência ovariana.”, explica Carlos Alberto.

A rádio e a quimioterapia, métodos mais comuns para o tratamento do câncer, podem afetar tanto os testículos quanto os ovários, por isso a importância de escolher o tipo de tratamento menos tóxico para as gônadas. A radioterapia, por exemplo, mesmo em doses cumulativas baixas pode provocar diminuição dos espermatozoides e em doses mais altas pode provocar danos irreversíveis nos homens.

Faixa etária – Devido aos índices de cura e tratamentos cada vez mais eficazes de doenças malignas nessa faixa etária, crianças e adolescentes diagnosticados com câncer também devem ser avaliados e os profissionais de saúde que os acompanham orientarem sobre a preservação da fertilidade. Com a possibilidade do congelamento de fragmentos de tecido testicular e ovariano, após o tratamento esse tecido poderá ser reimplantado com a possibilidade de resgate de sua função. Apesar de ainda ser considerado experimental, já existem mais de 60 nascimentos relatados a partir do transplante de tecido ovariano.

Os riscos de infertilidade em pacientes com câncer são maiores a medida em que o diagnóstico é feito em pessoas mais velhas. Isso acontece porque a quimioterapia, por exemplo, pode “envelhecer” o ovário em aproximadamente 10 anos e mulheres com idade superior a 35 anos tendem a ter mais dificuldades para preservar a fertilidade.

A estratégia escolhida para cuidar da fertilidade depende do tipo e estágio do câncer. Quanto mais precoce o diagnóstico da doença, maior será a possibilidade de preservação da fertilidade. De acordo com Carlos Alberto, “cânceres em estágios avançados, alguns tipos mais agressivos e a depender das condições clínicas da pessoa afetada, poderão demandar início imediato da quimio ou radioterapia, podendo impossibilitar a preservação”.

 

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