Cientistas noruegueses desenvolvem possível vacina para combater evolução do câncer de próstata

Cientistas noruegueses desenvolvem possível vacina para combater evolução do câncer de próstata

Publicado em 22 de maio de 2017

Em todo o mundo, o câncer de próstata mata mais de 300 mil homens anualmente, o que representa 4% de todas as mortes causadas por câncer, segundo dados do Cancer Research Institute. E se esses números pudessem ser diminuídos?

Um estudo recente traz esperança para os pacientes da doença. O Norwegian Radium Hospital, em Oslo, desenvolveu uma vacina que estimula o sistema imunológico a parar o desenvolvimento a doença, em um tratamento conhecido como imunoterapia, e teve resultados positivos em 90% dos participantes.

Os testes foram iniciados em 2013, mas os resultados foram publicados agora no periódico científico Cancer Immunology, Immunitherapy. Os cientistas constataram que 77% dos pacientes que utilizaram a vacina tiveram a evolução do câncer interrompida e 45% tiveram o tumor reduzido. É um avanço na utilização da imunoterapia no tratamento do câncer, ainda que o estudo esteja na Fase 1.

O teste foi feito em 21 pacientes logo após terem sido diagnosticados com quadro de metástase. Após 9 meses de estudo, 17 participantes tinham uma condição clinicamente estável, ou seja, o câncer havia parado de evoluir.  Uma redução de proteína específica no sangue e que está ligada à doença foi constatada em 16 participantes, sendo que 10 deles tiveram o tumor reduzido.

O objetivo do estudo foi mapear os efeitos colaterais e calcular as dosagens corretas em um tratamento de Imunoterapia para o Câncer de Próstata. Os pacientes também passaram por tratamentos hormonais e de radioterapia.

Para mais informações, leia o artigo científico publicado: https://goo.gl/tAzjsM

O câncer de próstata e a imunoterapia

A imunoterapia tem sido uma alternativa promissora na mudança como o câncer de próstata é tratado e curado. No Brasil, esse tipo de tratamento só está liberado para cânceres de pulmão, cabeça e pescoço, e de rins.

Há mais de um século, o cirurgião nova-iorquino William Coley observou que os tumores que continham em si alguma infecção tendiam a regredir. As bactérias ou vírus presentes na região onde as células estavam se multiplicando desordenadamente alertavam o sistema imunológico, que até então não havia detectado a anomalia em curso. Os efeitos colaterais e a ausência de uma solução definitiva contra o câncer levaram ao retorno da ideia de estímulo ao sistema imunológico, que sempre permanecera latente, voltasse a ganhar força há alguns anos.

Os números da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco) mostram que, até 2013, apenas 1% do estudos apresentados nos congressos da associação falavam sobre imunoterapia. Em 2016, o tema já era tratado em 25% dos trabalhos apresentados. Os cientistas têm acreditado ser possível que as nossas defesas barrem o avanço de muitos tumores antes mesmo de eles serem detectáveis.

Uma das vias de tratamento pela imunoterapia são as vacinas terapêuticas, utilizadas em pacientes que já contraíram a doença. O objetivo é alertar o sistema imunológico, que, por algum motivo, não se deu conta da existência do câncer, de que ele está ali. E isso é feito por meio da extração de células cancerígenas que são manipuladas a fim de que as defesas do corpo reajam diante do tumor.

Links com mais informações sobre a imunoterapia: https://goo.gl/gFR0nR

 

Evolução no tratamento do câncer de Próstata no Brasil

O câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não-melanoma). Em valores absolutos, é o sexto tipo mais comum no mundo, sendo o mais prevalente no sexo masculino. É considerado um câncer da terceira idade e representa 28,6% dos tumores nos homens. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), são, em média, 13 mil mortes anuais – uma a cada 40 segundos.

A imunoterapia ainda não está aprovada no Brasil para o tratamento desse tipo de câncer. O mais comum é o tratamento cirúrgico para o câncer de próstata, que consiste na retirada total do órgão. Existem três formas para a realização da prostatectomia: cirurgia convencional aberta, ou por laparoscopia, ou ainda com o uso de um robô (método mais avançado).

A cirurgia robótica representa hoje mais de 90 % dos tratamentos cirúrgicos de câncer de próstata realizados nos Estados Unidos. No Brasil, ela tem sido feita há 8 anos, e já é possível perceber os resultados superiores em relação ao método convencional.

“A cirurgia robótica foi um grande avanço para o tratamento cirúrgico do câncer de próstata, promovendo redução dos efeitos colaterais como disfunção erétil, incontinência urinária, infecção cirúrgica e transfusão sanguínea”, explica Fernando Leão, que é especialista no procedimento.

A técnica reduz, ainda, o tempo de internação hospitalar e o tempo de uso de sonda na bexiga no pós-operatório. No entanto, o médico alerta que a chance de cura está diretamente ligada ao momento em que foi feito o diagnóstico. Os sintomas mais comuns são sangue na urina e/ou esperma; dores ósseas (bacia e coluna principalmente) e algum grau de dificuldade para urinar.

 

Números do câncer de próstata

 

 

  • O câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não-melanoma). É considerado um câncer da terceira idade e representa 28,6% dos tumores nos homens;

 

  • Em valores absolutos, é o sexto tipo mais comum no mundo, sendo o mais prevalente no sexo masculino;
  • Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), são, em média, 13 mil mortes anuais – uma a cada 40 segundos;
  • Em todo o mundo, o câncer de próstata mata mais de 300 mil homens anualmente, o que representa 4% de todas as mortes causadas por câncer (Cancer Research Institute).

 

Fonte para a pauta

 

Fernando Franco Leão, urologista – É especialista em cirurgia robótica para tratamento do câncer de próstata. Além do Hospital Brasília, na capital federal, o especialista também opera nos hospitais 9 de Julho, Sírio-Libanês e Albert Einstein, em São Paulo. Leão é membro da Society of Robotic Surgery (SRS) e da American Urological Association (AUA), nos Estados Unidos, e também da Société Internationale D’Urologie (SIU), no Canadá.
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