O Brasil deve melhorar o ensino de matemática para formar cidadãos autônomos

O Brasil deve melhorar o ensino de matemática para formar cidadãos autônomos

Publicado em 29 de abril de 2017

No próximo dia 6 de Maio é comemorado o Dia Nacional da Matemática e a data reforça a necessidade de discutir os desafios do ensino desta disciplina no Brasil. De acordo com dados do Movimento Todos pela Educação, com base no Sistema de Avaliação da Educação Básica de 2015, do Ministério da Educação, menos de 10% dos estudantes saem da escola com aptidões matemáticas adequadas.

No Ensino Fundamental, os números também não são bons, de acordo com a Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA) de 2014, também realizada pelo MEC: praticamente um quarto das crianças avaliadas (24,29%) atingiram o nível 1 na escala de alfabetização em matemática, e 32,78% delas ficaram no nível 2. Ambos os níveis são considerados inadequados pelo ministério.

Segundo Rafael Parente, PhD em Educação pela Universidade de Nova Iorque e desenvolvedor da metodologia Conecturma, a situação da aprendizagem das crianças e jovens é pior em matemática do que em língua portuguesa. “Pensando em consequências para o futuro destas crianças e jovens, isso significa que eles não saberão fazer cálculos de juros ou conversar criticamente com um gerente de banco sobre investimentos ou empréstimos, por exemplo”, aponta.

O especialista afirma que este cenário se dá por conta de dois motivos principais: a falta de formação adequada para professores e a baixa qualidade dos materiais, instrumentos e didáticas utilizados por eles.

Para Rafael Parente, a nova Base Nacional Comum Curricular constitui um avanço, pois serve como o principal referencial do que se espera que os alunos aprendam, com descrições sucintas, claras e diretas. “Outra vantagem da nova BNCC é o alinhamento de nossas expectativas com as expectativas dos países mais desenvolvidos em educação”, destaca.

Conecturma: ensino adequado da matemática para as novas gerações

O mundo mudou e as novas gerações trazem desafios às escolas brasileiras e de todo o mundo, já que desejam e precisam de didáticas mais modernas para o ensino da matemática e das outras disciplinas. Para contribuir com a mudança deste cenário, a startup carioca Aondê Educacional desenvolveu, em 2014, a Conecturma.

“A Conecturma é a única metodologia de aprendizagem de língua portuguesa, matemática e habilidades sócio-emocionais que combina vários elementos, como livros didáticos, plataforma digital adaptativa e gamificada, desenhos animados, músicas e fantoches”, explica Rafael Parente, CEO da Aondê e desenvolvedor do método de aprendizagem.

Já alinhada com as mudanças propostas pela última versão publicada da Base Nacional Comum Curricular, a Conecturma ensina matemática para crianças dos anos iniciais do Ensino Fundamental com a utilização de recursos que estimulam a atenção, a concentração e o engajamento, fazendo com que os alunos aprendam mais e de melhor forma. O termo “turma” no nome não é à tôa: todo o conteúdo da metodologia, dividido em aventuras, envolve uma série de histórias de um grupo de personagens que crescem e aprendem junto com as crianças.

A modernização das metodologias utilizadas nas escolas passa também pela adoção de um novo ferramental em sala de aula: livros didáticos com linguagens mais adequadas às crianças e aos jovens, uso de personagens que auxiliam o aluno no aprendizado ao longo do ano, formação de professores e uma atuação sistêmica que envolve todos os atores da comunidade escolar.

Storytelling, plataforma de jogos e músicas, fantoches e outras atividades lúdicas que envolvem elementos da cultura brasileira são utilizados nesta plataforma transmídia que está sendo utilizada por cerca de 4 mil alunos em cinco estados brasileiros. A meta é chegar, até 2021, a 190 mil crianças beneficiadas.

Em Viamão, no Rio Grande do Sul, o aumento da aprendizagem após o início da aplicação da metodologia Conecturma na rede pública foi de 50% e 60% em língua portuguesa e matemática, respectivamente, de acordo com dados da Secretaria Municipal de Educação para 2016.

“Pesquisamos as correntes de maior sucesso no ensino de matemática pelo mundo, como uma metodologia desenvolvida pelo MIT e utilizamos estes recursos na Conecturma. Sempre demonstramos, no material, a importância do que está sendo ensinado para nossas vidas e partimos muito do concreto para chegar ao abstrato da Matemática”, destaca Rafael Parente.

A Conecturma também é embasada nas últimas descobertas das neurociências, reunindo atividades que desenvolvem macro-competências para a vida, como empreendedorismo, cidadania global, análise e síntese de informações. A missão da Aondê é ambiciosa: melhorar a educação no Brasil e transformar crianças em jovens autônomos e aptos a construir um futuro melhor para suas vidas.

Para Rafael Parente, no Dia Nacional da Matemática, é preciso reforçar a função social desta área de conhecimento e discutir sobre os melhores caminhos de aprendizagem. “Usamos a matemática para tudo em nossas vidas: para cálculos financeiros, para decisões importantes de compra e venda, para o desenvolvimento de nosso raciocínio lógico. A lógica matemática é essencial para uma vida autônoma e empoderada”, finaliza o especialista.

 

Dados sobre o ensino da Matemática no Brasil

1) Das Crianças Brasileiras em Idade de Alfabetização (até os 8 Anos):
(Fonte: Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA) de 2014, MEC)

 

  • 22% não leem adequadamente
  • 35% delas não sabem escrever
  • 57% não sabem matemática
  • +5.000.000 de crianças brasileiras não aprendem o que deveriam até os 8 anos de idade.

 

2) Quase um quarto das crianças avaliadas (24,29%) atingiram o nível 1 na escala de alfabetização em matemática, e 32,78% delas ficaram no nível 2. Ambos os níveis são considerados inadequados pelo ministério. (Fonte: Avaliação Nacional de Alfabetização 2014 /MEC)

3) Menos de 10% dos estudantes terminam o Ensino Médio com aptidões matemáticas adequadas. (Fonte: Movimento Todos pela Educação, com base no Sistema de Avaliação da Educação Básica de 2015 / MEC)

4) Seis a cada dez (61%) docentes de Matemática que dão aula nos anos finais do ensino fundamental não têm formação específica na área. (Fonte: Movimento Todos pela Educação, com base no Censo do Inep de 2015).
SOBRE A AONDÊ EDUCACIONAL – A Aondê é uma startup brasileira que atua nas áreas de educação e tecnologia, com sede no Rio de Janeiro.  A missão da Aondê é criar a melhor experiência de aprendizagem para formar cidadãos mais autônomos, solidários e competentes.  Todos os membros da equipe têm vasta experiência em suas áreas, com prêmios e reconhecimentos no Brasil e no mundo. Com sua equipe, Rafael liderou a criação e implementação de projetos inovadores da Secretaria Municipal do Rio de Janeiro entre 2009 e 2013, como a Educopédia, o GENTE, o Pé de Vento e o Rioeduca.

Mais informações: www.conecturma.com.br   

 


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