Brasil pode melhorar índices da Educação com o ensino de competências socioemocionais Fotos: Retratte Fotografia

Brasil pode melhorar índices da Educação com o ensino de competências socioemocionais

Publicado em 23 de outubro de 2017

Dados divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revelam que os estudantes brasileiros da faixa de 15 anos de idade estão entre os mais ansiosos entre os 72 países analisados pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa). De acordo com o relatório divulgado no início deste ano, 80,8% dos brasileiros avaliados se sentem muito ansiosos mesmo quando estão preparados para uma prova. O percentual brasileiro fica acima da média dos países da OCDE, que é de 55,5%.

O ensino das competências socioemocionais, ainda no anos iniciais do ensino fundamental, pode mudar esse índice, de acordo com Rafael Parente, especialista em Educação pela NYU e CEO da Aondê/Conecturma. “Saber gerenciar suas emoções e conviver coletivamente é essencial para encarar os desafios que a vida traz em curto, médio e longo prazos. A nova escola brasileira precisa encarar esse desafio”, explica, destacando que os resultados são imediatos nos ambientes escolar e familiar dessas crianças.  

A nova versão da Base Nacional Comum Curricular traz este novo desafio ao definir 10 competências que devem ser desenvolvidas pelos alunos ao longo da educação básica.  São elas, de forma resumida:

1) Valorização e utilização de elementos construídos no mundo atual para explicar a realidade;

2) Exercício da curiosidade intelectual e estímulo da análise crítica;

3) Desenvolvimento do senso estético e promoção de experiências artístico-culturais;

4) Utilização de conhecimentos em diversas linguagens para promover o entendimento mútuo;

5) Uso de tecnologias digitais de comunicação para estímulo de senso crítico;

6) Valorização da diversidade de saberes e das vivências culturais;

7) Estímulo à argumentação crítica e ética com respeito aos direitos humanos e à consciência socioambiental;

8) Estímulo ao autoconhecimento e ao cuidado das saúdes físicas e emocional;

9) Exercício de empatia, diálogo, resolução de conflitos e cooperação;

10) Empoderamento para agir com autonomia e tomar decisões segundo princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.


A terceira versão da BNCC é recente, mas já existem iniciativas no Brasil que estão implementando o ensino das competências socioemocionais em sala de aula há alguns anos, como é o caso da Conecturma, a única metodologia de aprendizagem de língua portuguesa, matemática e habilidades sócio-emocionais que combina vários elementos, como livros didáticos, plataforma digital adaptativa e gamificada, desenhos animados, músicas e fantoches.

Já alinhada com as mudanças propostas pela última versão publicada da BNCC, a Conecturma, desenvolvida pela startup carioca Aondê Educacional, trabalha com crianças dos anos iniciais do Ensino Fundamental a partir da utilização de recursos que estimulam a atenção, a concentração e o engajamento, fazendo com que os alunos aprendam mais e de melhor forma. O termo “turma” no nome não é à tôa: todo o conteúdo da metodologia, dividido em aventuras, envolve uma série de histórias de um grupo de personagens que crescem e aprendem junto com as crianças.

Storytelling, plataforma de jogos e músicas, fantoches e outras atividades lúdicas que envolvem elementos da cultura brasileira são utilizados nesta plataforma transmídia por cerca de 6 mil alunos em 50 escolas brasileiras. A meta é chegar, até 2021, a 190 mil crianças beneficiadas.

A metodologia transmídia possibilita a realização de atividades individuais e em conjunto que trabalhar as habilidades socioemocionais como respeito à diversidade, resolução de conflitos, análise de problemas e tomadas de decisões, vivência cultural, estímulo ao autoconhecimento, entre outros.

Para Rafael Parente, especialista em Educação pela NYU e CEO da Aondê Educacional/Conecturma, o ensino que estimula o desenvolvimento socioemocional do aluno é importante para transformar estas crianças em cidadãos autônomos.

“A Conecturma é embasada nas últimas descobertas das neurociências, reunindo atividades que também desenvolvem macro-competências para a vida, como empreendedorismo, cidadania global, análise e síntese de informações”, destaca Parente. A missão da Aondê é ambiciosa: melhorar a educação no Brasil e transformar crianças em jovens autônomos e aptos a construir um futuro melhor para suas vidas.

O especialista ressalta que a modernização das metodologias utilizadas nas escolas passa também pela adoção de um novo ferramental em sala de aula: livros didáticos com linguagens mais adequadas às crianças e aos jovens, uso de personagens que auxiliam o aluno no aprendizado ao longo do ano, formação de professores e uma atuação sistêmica que envolve todos os atores da comunidade escolar.

 

Competências sociomocionais diminuem a evasão escolar

“Desenvolver habilidades como colaboração e pensamento crítico, gerenciamento das próprias emoções, relacionamento com os outros e a busca por atingir objetivos contribui diretamente para aumentar o interesse das crianças e dos jovens pela escola e, consequentemente, reduzir a evasão escolar”, ressalta Parente.

Um levantamento recente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) sobre evasão escolar no País revelou que houve uma queda desse indicador nos últimos dez anos em todas as fases da educação. Nos anos finais do ensino fundamental, 7,5% dos alunos deixavam as escolas antes da formatura, índice que passou a 5,4% em 2015. Já nos anos iniciais, a evasão saiu de 3,5% para 2,1%. No ensino médio, o índice alcança 11% do total de alunos.

No entanto, ainda há um caminho desafiador a ser percorrido para que o Brasil alcance os índices de países com as melhores práticas de educação do mundo, como Cingapura, Finlândia, Canadá e Japão.  

Outro dado alarmante foi divulgado pela ONU. Dados preliminares de um estudo que será lançado pelo Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef), em julho, apontam que 70% dos jovens brasileiros entre 14 e 19 anos que são vítimas ou autores de homicídios estão fora da escola há pelo menos dois anos. Segundo Unicef, há 2,8 milhões de brasileiros entre 4 e 17 anos de idade sem estudar.

Impactos positivos do ensino das competências socioemocionais

De acordo com um relatório do Global Education Leader’s Program Brasil, as competências socioemocionais geram impactos positivos em várias esferas da vida de um aluno:

  • Na aprendizagem: geram ambiente mais favorável à aprendizagem e melhores resultados dos alunos nas disciplinas curriculares tradicionais;
  • No desenvolvimento integral: preparam os estudantes para estar no mundo, compreender os diferentes, ser críticos e atuantes e tomar decisões pautadas na ética. Ajudam-nos a construir seu projeto de vida e a se capacitar para o mundo do trabalho;
  • Na promoção de equidade: dialogam com as necessidades da sociedade civil, mobilizam famílias e contemplam seus anseios, suprem carências de oportunidades e geram impacto nos indicadores sociais;
  • Na mudança cultural: transformam o currículo e a escola, estimulam a atitude cidadã, contribuem para o desenvolvimento de uma cultura de paz.

 

Fonte: https://goo.gl/LPVVCS

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