Videoconferência: dicas para lidar com essa grande aliada do jornalismo

Videoconferência: dicas para lidar com essa grande aliada do jornalismo

Bruno Aguiar

Bruno Aguiar Publicado em 19 de dezembro de 2017

Videoconferência é uma aliada antiga do jornalismo. Mas até alguns anos atrás era comum que apenas correspondentes internacionais e fontes pontuais em outros países usassem esse recurso para noticiar algo ou colaborar com os noticiários locais. O tempo passou, em poucos anos a internet fez uma verdadeira revolução na forma de se comunicar, e a imagem abaixo está cada vez mais rara.

Se antes a transmissão via telefone era o meio mais viável em situações de emergência, o que temos atualmente é outra realidade. Hoje é possível que um acontecimento muito importante receba comentários em vídeo de qualquer parte do mundo por meio de videoconferência.

Essa mudança não mudou apenas o dia a dia dos correspondentes internacionais, mas de especialistas e de fontes de qualquer área. Exemplo: se acontece um atentado no Oriente Médio e o mais preparado especialista para comentar o assunto está em viagem em algum país da Europa, em poucos minutos é possível montar o aparato necessário para que ele entre ao vivo no Jornal Nacional ou mesmo grave um vídeo para ser inserido na reportagem sobre o assunto.

Agora você se pergunta: mas como fazer isso? Responderei essa pergunta, mas antes uma pausa para o vídeo abaixo.

A cena hilária aconteceu quando o professor americano Robert Kelly dava uma entrevista ao vivo à BBC, via videoconferência, sobre o impeachment da presidente da Coreia do Sul quando, de repente, foi surpreendido pelos dois filhos, que invadiram a sala onde estava.

O caso viralizou no mundo inteiro e arranca gargalhadas até hoje. Se o seu objetivo não for esse, sugiro seguir as dicas abaixo.

Escolha um lugar sem barulho e riscos de interrupções

Seja ao vivo ou não, quando você vai emprestar a sua imagem para a programação de uma televisão é preciso escolher bem o local onde a gravação acontecerá. Ruídos podem prejudicar o entendimento do que você está falando e interrupções podem tirar a atenção da mensagem que você quer passar. Dê prioridade para o escritório ou um cômodo da casa que dê mais tranquilidade.

Teste a conexão, imagem e áudio antes do “valendo!”

Alguns aparatos tecnológicos também são essenciais para a transmissão acontecer com sucesso. Você precisa de internet rápida e constante para se aventurar em uma videoconferência na televisão. Dê preferência para sinais Wi-Fi, mas é possível que a sua internet móvel também suporte.

Além disso, você precisará testar a qualidade da imagem e áudio. Quando falamos de áudio, dois itens são importantes. O seu e o do interlocutor do outro lado. Teste se o seu microfone está repassando um áudio limpo e em bom volume. E teste também se a sua saída de som está recebendo áudio de forma audível.

Dica extra: computadores e celulares da geração de 2014 para cá geralmente possuem um bom sistema de imagem, microfone e saída de som. Isso não é uma garantia, mas se o modelo do seu dispositivo for anterior a isso, atenção redobrada.

Hitomi Nakagawa, presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida e cliente do Coletivo Conversa em Assessoria de Imprensa, em entrevista via videoconferência para a BandNews TV

Fique atento ao tempo de retorno

Uma transmissão via videoconferência geralmente tem um retorno mais lento que transmissões com os equipamentos usados pelas emissoras. Assim, é importante que, logo no início, você tente perceber o espaçamento de tempo entre o que você está falando ser ouvido pelo interlocutor e pelos espectadores e o tempo em que você ouve de volta os comentários. Esse tempo varia muito, então é preciso estar atento para que a entrevista não vire um show de interrupções de ambos os lados e se transforme em um grande constrangimento.

Tenha mais de uma opção de aplicativo

Acredite, existem outras opções de aplicativos para videoconferência além do Skype. Apesar dele ser bastante útil e didático, ter outras opções é sempre indicado pois pode ser que a emissora prefira outra plataforma ou mesma essa falhe. Outros aplicativos, também gratuitos e disponíveis para baixar em computadores e smartphones, são: Hangouts, FaceTime, Duo e SOMA.

Tenha um plano B

Cada uma dessas dicas é importante para que tudo ocorra bem. Mas sempre algo pode dar errado. Então, tenha um segundo plano. Uma conexão reserva, outro aparelho, outro espaço ou mesmo outra pessoa que possa te substituir em último caso.

Dicas gerais

Além das dicas acima, outras servem para qualquer tipo de entrevista à TV: evite roupas coloridas ou com estampa; atenção máxima ao que está sendo perguntado e se atenha a isso e somente a isso; evite desviar o olhar em sentidos aleatórios para não parecer que você está inventando o que diz; gesticule, mas não muito. Outras dicas são pertinentes na hora de falar com uma emissora de televisão. Mas isso é assunto para outro artigo.

Além de transmissões ao vivo e reportagens para TV’s, as videoconferências também podem te auxiliar na hora de uma coletiva de imprensa. Mais sobre o assunto você confere neste artigo

Agora, se as dicas não te deixaram seguro no assunto, é possível que você precise de um Media Training. Um treinamento específico para relacionamento com a imprensa. Converse conosco! Vamos adorar ajudar você neste assunto!

Bruno Aguiar é pesquisador em Comunicação Digital e sócio-diretor do Conversa Coletivo de Comunicação Criativa

 

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