Hoje é dia de follow-up? Relaxe e confira estas dicas

Hoje é dia de follow-up? Relaxe e confira estas dicas

Kadydja Albuquerque

Kadydja Albuquerque Publicado em 9 de agosto de 2017

Do estagiário ao profissional mais experiente, a maioria dos que trabalham com assessoria de imprensa não acha a parte do follow-up a mais divertida do ofício. As razões são diversas, mas, para resumir, a antipatia pelo FUP (como o chamamos carinhosamente) se deve a alguns fatores principais como a recepção da pauta por parte dos jornalistas e à obrigatoriedade de ter que emplacar uma notícia às vezes “sem apelo”, o que faz com que o primeiro fator piore bastante.

Mas, como em qualquer outro processo, existem técnicas que podem ajudar a tornar o follow-up menos angustiante e que vão aumentar as chances de você ter o seu cliente na imprensa.

1. Não peça favor!

 

 

Follow-up é a técnica em assessoria de imprensa que consiste em entrar em contato com os jornalistas de redação para “vender” uma pauta. Se o tema da sua pauta for ruim, o momento que seria de negociação vira um pedido de favor. Chegue preparado e com um bom tema.

2. Conheça a linha editorial dos veículos

Não dá pra vender uma pauta de cultura para um programa de esportes, não é? Pesquise a linha editorial do veículo antes, caso você não tenha tanta intimidade com a publicação. Uma boa parte do trabalho do assessor de imprensa consiste em pesquisar sobre o veículo, suas editorias, seus jornalistas estratégicos e os temas que mais lhes interessam.

3. Atenção aos elementos que os jornalistas mais gostam

Segundo uma pesquisa realizada pelo grupo de comunicação Edelman, os jornalistas estão adicionando 5 ingredientes às suas histórias: conteúdo imagético, localização, temas que são tendência (trending topics), voz humana e brevidade na repercussão de um tema. Para tornar a sua pauta mais interessante, tente usar esses elementos no material que está sendo preparado para o jornalista.

4. Quem gosta de nariz de cera é escritor, jornalista gosta de número

Esse é um ingrediente da pauta que nunca sai de moda. Apresente pesquisas, estudos, números com recorte nacional ou regional (a depender da sua estratégia) e faça isso de forma simples. Em vez de criar um texto corrido com zilhões de índices espalhados pelos parágrafos, apresente as principais informações em listas ou infográficos.

5. Primeiro negocie a disponibilidade da fonte

Se tem algo que irrita nossos colegas de redação (além do follow-up durante fechamento de edição) é vender uma pauta com fonte indisponível. Converse antes com o seu cliente para avaliar sua disponibilidade. Isso fará toda diferença na elaboração das estratégias e na definição dos veículos que serão contatados. Lembra da dica de conhecer a linha editorial do veículo? Agregue à essa tarefa a pesquisa sobre sua rotina para que você não dê mancada na hora de oferecer a pauta para um programa matutino quando sua fonte só poderá dar entrevista no período da tarde.

6. Melhor um jornalista estratégico na mão do que dois voando

Outro erro bem comum na assessoria de imprensa é vender a pauta para mais de um jornalista de um mesmo veículo. Pensem comigo: imagina a reunião de pauta do telejornal e os produtores chegam com a mesma ideia? Escolha bem com quem você vai falar e invista nesse contato.

7. Todo mundo dispara release, mas você não é todo mundo

 

A não ser em casos bem específicos, como pautas de grande utilidade pública, evite enviar releases para o “mailing_geral.doc”. Já sabemos que o índice de aproveitamento com esse tipo de distribuição é quase nulo. Uma das coisas que mais irrita o jornalista é receber e-mails que são enviados para vários veículos ou, na pior das hipóteses, receber um “olá (colocar o nome do jornalista aqui). Sim, acontece.

Separe um tempo (importantíssimo, diga-se de passagem!) para definir quais os veículos podem se interessar por sua pauta e faça o contato direto. Demonstre que você se preparou para falar com aquele jornalista e tenha uma conversa personalizada, sugerindo a pauta (vou falar novamente) de forma que se encaixe na linha editorial do veículo.

8. Telefone não é o único meio para follow-up

Ainda que continue sendo o mais importante, estamos em 2017 e hoje existem outras formas de vender a pauta. Mas isso significa que você vai ficar enviando Whatsapp para qualquer jornalista ou adicionando geral no Facebook para vender pauta pelo Messenger? Não! Conheça os jornalistas que são estratégicos para você e saiba como eles preferem ser contatados.

9. Invista em um relacionamento profissional

Do lado de cá, os assessores de imprensa podem fornecer informações interessantes. Do lado de lá, os jornalistas podem salvar nosso clipping com inserções que vão fazer o cliente ficar satisfeito. Parece que temos uma relação aqui que pode ser promissora. Invista no contato profissional e bilateral com os jornalistas estratégicos. Se você já não for amigo dele (a), não force amizade. Não queira comprá-lo. Ofereça o que ele mais precisa: informação interessante, relevante e com credibilidade.

10. O mundo gira

Somos mais que amigas, somos friends.

Esse último tópico vale tanto para o assessor quanto para o jornalista de redação. É comum ouvirmos um reclamando do outro, como se não fizéssemos parte da mesmo barco. Como se amanhã o mundo não girasse e, aquele que estava tratando mal o colega assessor, agora não tivesse que vender pautas para ganhar a vida. Parece dramático, não é? Mas pode ser bem simples de entender. De um lado o assessor, que precisa fazer o seu trabalho e apresentar sua pauta; do outro o jornalista, que se beneficia, muitas vezes, das sugestões enviadas.

Então, colegas, vamos nos dar as mãos ao final desse texto e repetir o mantra: o ingrediente principal no follow-up deve ser o respeito pelo outro.

Kadydja Albuquerque é especialista em Gestão da Comunicação nas Organizações e sócia do Coletivo Conversa de Comunicação Criativa.

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