O que a comunicação organizacional ganha com o Programa para Jornalismo do Facebook?

O que a comunicação organizacional ganha com o Programa para Jornalismo do Facebook?

Kadydja Albuquerque

Kadydja Albuquerque Publicado em 18 de abril de 2017

Em janeiro, o Facebook anunciou o seu mais novo programa de apoio ao jornalismo, que consiste em desenvolvimento de produtos, novos treinamentos e ferramentas para promover as práticas jornalísticas na rede e formar novos (e melhores) leitores digitais.

A empresa de Zuckerberg informou que o projeto Facebook para Jornalismo será construído em parceria com grandes veículos como Washington Post, Fox News e El País. As ferramentas atuais devem ser melhoradas para atender à imprensa, como o Live (vídeos ao vivo), fotos em 360º e a melhoria do recurso Instant Articles para os veículos de comunicação (este recurso é aquele que possibilita a leitura de uma notícia, na versão mobile, dentro do próprio Facebook, sem precisar abrir o navegador). Estes parceiros vão ajudar, ainda, na construção de novos formatos para “contação de histórias”.

Além disso, parcerias com universidades vão garantir cursos que ajudem o jornalista a utilizar melhor o Facebook e ações de fomento às notícias locais e à mídia independente.

Este programa do Facebook surge também como uma resposta aos ataques no final do ano passado, quando parte da imprensa e outras instituições norte-americanas atribuíram às notícias falsas no Facebook um peso de contribuição à eleição de Donald Trump para presidência dos Estados Unidos.

O Facebook caminha em um projeto para ter maior controle em relação à publicação de notícias falsas, e, no início deste mês, começou a alertar os usuários brasileiros sobre como identificá-las.

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Este novo programa, que contempla essas e outras iniciativas, é uma boa alternativa para tornar a participação da imprensa mais presente na rede. Inclusive, o programa anuncia que um dos objetivos da parceria com educadores e pesquisadores da área é continuar os esforços para impedir a divulgação das notícias falsas na rede (news hoaxes).

Sob um ponto de vista otimista, o The Facebook Journalism Project ajuda a promover a circulação de informações, as boas práticas jornalísticas e até pode ser um começo na conscientização sobre o consumo e o compartilhamento de informações (embora isso demande um caminho bem mais audacioso e que envolva diversos outros atores. Falarei sobre isso no próximo artigo).

Mas, finalmente, o que as assessorias de comunicação ganham com esse programa?

A melhoria das ferramentas como o Live beneficia não só os veículos tradicionais, mas qualquer usuário que utilize o recurso, e isso inclui as organizações. Vídeo é o formato que faz mais sucesso nas redes hoje. Um estudo da Cisco Forecast projetou que 69% do tráfego da Internet, em 2017, vai ser realizado em vídeos; a previsão para 2019 é de 80%.

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Jornalistas e Organizações utilizam o Live como um recurso para transmissão de informações aos seus públicos. Recentemente, o Instagram lançou recurso de “Ao Vivo” em seus Stories.

 

De acordo com o Facebook, as pessoas tendem a comentar 10 vezes mais em posts do Facebook Live do que em outros vídeos. Ainda que com alguns problemas de transmissão, o Facebook Live precisa ser considerado dentro das estratégias de assessoria de imprensa, seja na transmissão de um evento do cliente para os seus públicos ou ainda, por exemplo, na negociação de cobertura desse evento pela imprensa. E não podemos nos esquecer do recurso recente que a galera do Zuck trouxe do Snapchat: o Stories. Esta é uma boa alternativa para perfis gerenciados por assessores e profissionais de social media.

 

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Empresas utilizam o Instagram Stories para promover eventos de fortalecimento de marca com seus públicos.

Além disso, com o Facebook dando mais espaço para as matérias dos veículos nas timelines dos usuários, é possível ampliar a visibilidade da inserção dos clientes. Mas, para isso, é necessário que as estratégias de assessoria de imprensa se estendam para a rede social.

Um novo entendimento sobre as páginas dos veículos no Facebook

Este programa demonstra o quanto o Facebook reconhece a importância da presença dos veículos de comunicação em sua rede. Sendo assim, as organizações precisam encarar os perfis institucionais da imprensa, de jornalistas e de influenciadores como veículos de comunicação com potencial para repercutir o tema além dos canais tradicionais.

E esse entendimento está diretamente ligado às estratégias de assessoria de imprensa. Ao construir a estratégia de follow-up, por exemplo, o assessor de imprensa deve levar em consideração que a notícia do seu cliente pode ser postada tanto na versão impressa do jornal como em sua página no Facebook com milhares de seguidores. É uma forma de multiplicar a audiência daquela inserção e promover o engajamento sobre o tema de interesse do cliente.

Outra maneira é dando visibilidade aos clippings nas páginas institucionais dos clientes no Facebook, como já falei em outros artigos.

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Exemplo de clipping valorizado na página do cliente.

Parece óbvio, mas é algo que ainda está bem distante da realidade de muitas assessorias no Brasil. Contar com um programa que estimule a divulgação e o consumo de notícias reais na rede pode contribuir para que a comunicação organizacional valorize mais o direcionamento das ações de assessoria de imprensa para o ambiente digital.

Kadydja Albuquerque é especialista em Gestão da Comunicação nas Organizações e sócia do Conversa Coletivo de Comunicação Criativa.

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