Como a Comunicação Interna pode humanizar as relações de trabalho?

Como a Comunicação Interna pode humanizar as relações de trabalho?

Bruno Aguiar

Bruno Aguiar Publicado em 1 de setembro de 2017

No mundo corporativo, a humanização das relações de trabalho é uma inovação necessária e que já começa a ser vivida em algumas organizações. Uma estratégia eficiente para humanizar as relações de trabalho é instituir a visão de que o funcionário pode contribuir como alguém que tem opiniões e vivências que podem beneficiar a organização, que integra a empresa estrategicamente e ajuda a construir seus significados internos e imagem perante o mercado.

Muito desse trabalho é atribuído aos setores de RH, mas existe uma ferramenta tão importante ou mais subutilizada: a Comunicação Interna. Daí você se questiona: “mas o que a Comunicação Interna tem a ver com isso?”. Tudo. A decisão de humanizar o ambiente e relação de trabalho pode ser vertical, mas a alta gestão precisa de um meio para que isso aconteça. A Comunicação Interna é esse meio. O papel da Comunicação Interna é ser fomentadora na construção de novos sentidos dentro das empresas. E atuar nesse processo é basicamente a sua vocação.

Pela Comunicação Interna é possível migrar de um modelo mecânico, centrado nos processos, para um modelo mais orgânico, em que as pessoas são o centro, o que pode trazer as empresas para um novo patamar, no qual novos desafios são descobertos vertical e horizontalmente e devem ser superados.

Se você quer que a sua Comunicação Interna seja eficiente e humanizada, essas dicas são para você!

1 – Conheça o seu público

Não tem como humanizar sem conhecer. Faça pesquisas internas para traçar o perfil dos seus funcionários e colaboradores. Possivelmente você terá vários perfis, por isso é necessário entender o perfil principal e secundários. Você pode dividir por setores, mas contribui mais dividir por meios de comunicação. Afinal, você quer ser assertivo com 100% dos destinos, correto?

2 – Comunicação para todo mundo, não é para ninguém

Agora que você traçou os perfis é preciso definir a forma mais eficiente de se comunicar com cada um deles. Essa etapa passa por meios de contato e linguagem e outras variáveis. É preciso considerar o que é mais efetivo e, dependendo do caso, ter meios tradicionais e inovadores para o mesmo fim.

3 – Comunicação eficiente tem diálogo

Não adianta a Comunicação Interna só ser emissora e não ouvir. É preciso criar um mecanismo para que os feedbacks cheguem, inclusive anonimamente. E nem todo mundo que gere a Comunicação Interna precisa ter acesso a isso.

4 – Deixe que os colaboradores se conheçam…

Além da empresa conhecer os seus funcionários e colaboradores, é preciso que eles se conheçam entre si. Muitos podem pensar em um grande happy hour ao ler isso. É possível, mas pensando de forma mais colaborativa, rodadas de apresentações por setores (internos e entre si) é o que pode ser mais eficiente. Nesse momento você já terá os perfis traçadas, então saberá como não fazer da ocasião um momento tediosozZzzz.

5 – … e elas a você

Agora é hora de apresentar a parte de baixo da pirâmide à parte superior. Una os gestores, divididos por áreas ou juntos, e deixe que funcionários e colaboradores tenham acesso e conheçam as pessoas para quem trabalham. Tem alguém lá em cima guiando o futuro profissional dessas pessoas e é importante – e legítimo – que elas o conheçam. Essa estratégia é usada erroneamente apenas em gerenciamentos de crise. Mas lembre-se: uma relação saudável tem que ser vivida na alegria e na doença.

6 – Não tem comunicação sem ponto final

Quando você abre canais de contato direto com seus funcionários e colaboradores, é possível que cheguem demandas inesperadas a você. Uma vez abertas, elas precisam de resolução. Mesmo que a resolução seja uma negativa para o proposto. É assim que se constrói uma relação de confiança e transparência. E validar a construção coletiva é muito importante em Comunicação Interna.

Existem muitas outras etapas a ser consideradas nesse processo de humanização das relações de trabalho, mas elas adentram as peculiaridades das organizações. Se você seguir as aqui listadas – com a ajuda de profissionais na área – você certamente saberá identificar e definir a melhor estratégia e forma de condução.

Também é possível que sua organização não tenha tantos funcionários e colaboradores e ache que essas dicas não são para você. Então, aqui vai outra dica: são, sim. Resguardadas as devidas proporções, isso pode ser aplicado em empresas com, no mínimo, duas pessoas envolvidas. Mesmo que elas sejam sócias.

Bruno Aguiar é gestor de Comunicação, concludente na especialização de Gestão da Inovação e sócio do Conversa Coletivo de Comunicação Criativa

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