As fake news evoluíram. Conheça as deepfakes

As fake news evoluíram. Conheça as deepfakes

Bruno Aguiar

Bruno Aguiar Publicado em 20 de julho de 2018

Identificar o que é verdadeiro ou não na internet tem sido um trabalho cada vez mais difícil. Além das fake news (assunto que debatemos com abrangência aqui, aqui e aqui), uma nova tecnologia se apresenta como agente de compartilhamento de mentiras e correntes difamatórias. São as deepfakes.

Deepfakes são vídeos que circulam pela internet com uma grande potencial viral. O detalhe perigoso é que eles são falsos. Existem, por exemplo, deepfakes do Obama defendendo terroristas, do Trump convocando uma guerra mundial e até mesmo de Scarlett Johansson em uma produção pornográfica.

O alerta fica ainda maior se analisarmos a facilidade com que esses vídeos são produzidos. Uma pessoa com razoável conhecimento de programação consegue criar um sistema capaz de criar deepfakes. Esses usuários se identificam com o mesmo nome da sua cria: Deepfakes, uma aglutinação de deep, que vem do conceito deep learning, usado por uma pessoa para treinar o sistema, e fakes, referência à falsidade de seus vídeos.

O deep learning é uma ramificação da Inteligência Artificial em que um sistema é capaz de aprender algo sozinho – um exemplo é o AlphaGo, sistema da Google que ganhou de um mestre do jogo de tabuleiro Go depois de entender a dinâmica da atividade enfrentando a si mesmo repetidamente. O que deixa o processo automatizado e podendo ser usado em larga escala.

Embora pessoas mais criteriosas consigam identificar imperfeições em vídeos de deepfakes, esse conteúdo, quando compartilhado massivamente, pode obter danos irreparáveis – ainda mais para países que estejam passando por um processo eleitoral extremamente polarizado como o Brasil.
Confira o vídeo que a BBC Brasil produziu sobre o assunto:

Confira o vídeo que a BBC produziu sobre o assunto.

Pessoas comuns também podem ser alvo, o que acende o alerta para o crescimento da prática do “pornô da vingança” (quando uma pessoa divulga um vídeo íntimo do (a) ex-namorado (a), por exemplo) ganhe novo impulso com a possibilidade de manipulação de imagens.

Como identificar uma deepfake?

Para tentar identificar possíveis deepfakes, uma dica é prestar atenção à qualidade dos vídeos e na maneira como os rostos se movem. Em vídeos “fakes” de celebridades, os rostos digitalmente “transplantados” tinham resolução mediana, oscilações, tremores e flutuações.
Em termos técnicos, também há diferenças entre os deepfakes e os vídeos verdadeiros. Um vídeo editado tem na área do rosto uma sobreposição de gráficos computacionais.

Responsabilidade jornalística

Com esse novo atentado aos conteúdos jornalísticos, jornalistas e produtores de conteúdo ganham uma responsabilidade ainda maior em combatê-las. Obviamente o dever é de todos, mas é preciso que veículos de comunicação voltem a ganhar a credibilidade de seus públicos para que conteúdos falsos sejam cada vez mais desacreditados e percam sua força.

Aos consumidores de conteúdo na internet, fica a convocação. Cheque a veracidade de todo e qualquer conteúdo que você deseja compartilhar. Uma simples pesquisa pode te dar indícios se o material que você está consumindo é real ou você está caindo em um golpe de fake news, deepfakes ou outro que os mal intencionados ainda possam inventar.

Bruno Aguiar é pesquisador em Comunicação Digital e sócio do Conversa Coletivo de Comunicação Criativa

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